Mais de três anos após o fim da crise de saúde pública que alterou profundamente o mercado de trabalho, o número de profissionais em regime de teletrabalho continua a crescer e atingiu um novo máximo. De acordo com os dados mais recentes, mais de 1,1 milhões de trabalhadores em Portugal exercem agora as suas funções à distância, consolidando uma tendência que outrora parecia temporária.

O teletrabalho, inicialmente adotado como medida de emergência durante a pandemia, transformou-se numa prática estável em muitos setores, especialmente entre empresas tecnológicas, serviços financeiros e administrativos. As vantagens associadas à flexibilidade, à redução de custos de deslocação e a uma maior conciliação entre vida profissional e pessoal mantêm-se como os principais fatores de adesão.

Contudo, nem todos os trabalhadores beneficiam plenamente desta mudança. Estima-se que cerca de um quinto dos que trabalham remotamente o façam apenas fora do horário normal, muitas vezes como complemento ou prolongamento do dia de trabalho. Este fenómeno levanta novamente o debate sobre os limites entre trabalho e descanso e sobre a necessidade de reforçar o direito à desconexão digital.